Atropelamento terrorista deixa oito mortos e vários feridos em Manhattan

Da Redação

0

WASHINGTON E NOVA YORK – Dezesseis anos após o 11 de Setembro, o terror voltou a causar mortes em Nova York. O atropelamento em uma ciclovia às 15h05m da tarde de terça-feira (horário local), seguido por tiros na região de TriBeCa, próximo ao antigo World Trade Center, deixou oito mortos e 11 feridos. Testemunhas afirmam que o motorista do caminhão — um homem de 29 anos, nascido no Uzbequistão — deixou o veículo alugado gritando “Deus é grande!”, em árabe, o que foi confirmado pela polícia local. O atentado é o primeiro com carros a deixar mortos nos EUA e será mais um grande desafio para o governo de Donald Trump, que ontem, sem mesmo que o Estado Islâmico tivesse reivindicado a autoria do atentado, tuitou contra o grupo terrorista.

“Não devemos permitir que o Estado Islâmico volte, ou entre, no nosso país depois de derrotá-los no Oriente Médio e em outros lugares. Basta!”, escreveu o presidente na rede social. Horas antes, antes da confirmação do incidente como um ato de terrorismo, Trump já havia se manifestado: “Em Nova York, parece que há outro ataque de uma pessoa muito doente e perturbada. A aplicação da lei está acompanhando de perto. NÃO NOS EUA”.

Até a noite de ontem, a polícia não tinha divulgado as motivações do autor do atentado, segundo a rede ABC, Sayfullo Habibullaevic Saipov, de 29 anos, que chegou aos EUA em 2010, e moraria em Nova Jersey — a carteira de motorista encontrada no local era de Tampa, na Flórida. Após ser alvejado no abdômen, ele foi detido. Segundo o “New York Times”, investigadores encontraram duas notas em árabe perto do veículo, na qual ele jurava lealdade ao EI. A polícia de Nova York não havia fornecido detalhes sobre as vítimas, mas dois argentinos estão entre os mortos. O consulado brasileiro na cidade afirmou não ter informações sobre a presença de brasileiros entre mortos ou feridos na tragédia.

Autor tinha armas de brinquedo

Segundo a polícia de Nova York, o motorista conduziu a caminhonete alugada da rede Home Depot pela ciclovia entre as vias West St e Houston St, em direção ao Sul da ilha de Manhattan. Depois de atropelar pedestres e ciclistas por cerca de 20 quadras, o veículo se chocou com um ônibus escolar, na esquina entre as ruas West e Chambers. Neste momento, o homem saiu da caminhonete carregando duas armas — que, segundo a polícia, tratava-se de uma arma de paintball e uma espingarda de chumbinho — quando foi alvejado e capturado. Segundo jornais americanos, o suspeito ferido está em condição estável no Hospital Bellevue, onde foi interrogado. Ele teria alugado o veículo em Nova Jersey, na manhã de ontem.

— Saí do metrô da Rua Chambers e as pessoas tinham rostos fantasmagóricos. Pensei de imediato que era algo relacionado ao Halloween, mas logo vi que os barulhos de tiros não podiam ser fogos de artifício ou alguma brincadeira típica da festa. Vi crianças da Stuyvesant voltarem para dentro da escola sem entender de onde vinha o barulho. Logo começaram as sirenes de polícia, bombeiros e ambulância. Foi assustador — afirmou ao GLOBO Filippo Brunamonti, correspondente da “La Reppublica”, da Itália, que estava na região para uma entrevista e acabou sendo testemunha do ataque.

Apesar de o governador Andrew Cuomo ter dito a moradores para seguirem suas vidas normalmente e que não havia novas ameaças, o prefeito Bill de Blasio pediu que todos ficassem “atentos” a qualquer coisa “suspeita” na noite de Halloween, quando principalmente crianças saem fantasiadas pelas ruas. O prefeito ainda informou que aumentaria o policiamento em Nova York durante a noite.

— Foi um covarde ato de terror — afirmou De Blasio em coletiva de imprensa, lembrando que os nova-iorquinos “são fortes e resilientes” e iriam superar a tragédia.

Os EUA viveram seus últimos grandes ataques terroristas na Califórnia em 2015 e em Orlando em 2016 — ambos perpetrados por americanos de origem árabe e com armas de fogo. O país também havia sido palco de dois atentados com carros, um em 2006, na Carolina do Norte, e outro em 2016, em Ohio, sem vítimas fatais. É a primeira vez que há atentados com atropelamento, com vítimas e autor nascido no exterior nos EUA. Nova York, que já viveu ataques terroristas de menor impacto desde o 11 de Setembro — como a explosão de uma bomba feita em uma panela de pressão em setembro de 2016, às vésperas da reunião anual da ONU — voltou a contar mortes por terrorismo.

No fim da noite, a Casa Branca publicou uma nota oficial, informando que estava apoiando a cidade. “Nossos pensamentos e orações estão com as vítimas do ataque terrorista de hoje em Nova York e com suas famílias. O meu governo prestará todo o apoio ao Departamento de Polícia da cidade, inclusive através de uma investigação conjunta com o FBI. Oferecemos nossos agradecimentos aos primeiros socorristas que pararam o suspeito e prestaram ajuda imediata às vítimas desse ataque covarde. Esses homens e mulheres corajosos encarnam o verdadeiro espírito americano de resiliência e coragem. Continuarei a acompanhar de perto os desenvolvimentos”, afirmou o comunicado, assinado pelo presidente.

Líderes de todo o mundo prestaram solidariedade ao povo americano. O presidente francês, Emmanuel Macron, escreveu no Twitter, em inglês, que transmitia a solidariedade de seu país ao povo de Nova York e que “nossa luta pela liberdade nos une mais que nunca”. Com Informações de o GLOBO

 

Posts Relacionados Mais do autor

Comentário

Seu endereço de email não será publicado.