Bumba meu boi de Cururupu, sotaque costa de mão, uma arte singular que desafia os tempos

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CURURUPU – O Bumba Meu Boi é considerado atualmente símbolo de maranhensidade, além de ser a festa mais marcante da cultura popular maranhense, acontece em homenagem ao protetor do auto – São João, comum em quase todo o Maranhão, a brincadeira desnuda uma das facetas dos saberes e fazeres populares e todo ano, sobretudo, no período de são João, as ruas se embebem aos sons dos bumbas. A cidade de Cururupu, um dos berços dessa cultura, se transforma em um verdadeiro arraiá a céu aberto em homenagem ao festejo de São João.

Em Cururupu, no período junino é possível senti entre as batidas dos tambores, capturar situações inusitadas, emoções, sorrisos e, sobretudo, a energia que é inerente aos brincantes, único de uma cidade que literalmente respira a cultura do Mumba meu boi.

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Bumba meu boi de Cururupu (Foto: Internet/Reprodução ICURURUPU)

Mais nem tudo é alegria, ao longo dos tempos o Bumba meu boi vem sofrendo transformações, principalmente por parte dos jovens que já não se empolgam com a brincadeira da mesma forma que acontecia no passado, soma-se à este fenômeno a falta de incentivos por parte do poder público, que durante o ano nem sempre usa essa rica cultura em seus processos culturais, nais escolas, na educação em geral, ou seja, não se consegui dar andamento à preservação de uma cultura tão rica e tão singular de forma pedagógica. 

Sotaque costa de mão

Em 2001 foram catalogados pelo  Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional [Iphan] 18 grupos do sotaque Costa de Mãos no estado do Maranhão. Em 2017 só restavam seis em atividade. Destes, somente quatro mantiveram a tradição de se apresentar nas festança de São João.O sotaque Costa de Mãos, junto com outros quatro, formam a diversidade que fez do Bumba meu Boi do Maranhão patrimônio cultural do Brasil. Entre tantos ritmos e sotaques de bumba-meu-boi do Maranhão, um se destaca especialmente pela originalidade e pela maneira exótica de tocar seus pandeirões. 

Conhecido pela batida do pandeiro que é feita com as costas das mãos, os grupos são originários da região do Litoral Ocidental Maranhense, tendo como berço o município de Cururupu. Tem um ritmo cadenciado marcado por instrumentos de percussão, como caixa, maracá e pandeiro.

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Bumba meu boi sotaque costa de mão (Foto: Reprodução / Internet)

A indumentária é caracterizada pela riqueza dos bordados em calças, casacos e chapéus. São originários e faz do Bumba meu boi costa de mão de Cururupu de grupos dos municípios de Cururupu uma cultura singular e de expressão sem igual. Na cultura popular maranhense, representam, com o sotaque de Zabumba, a identidade do povo negro dentro do Bumba meu Boi.

Para o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Diego Galdino, é preciso manter vivo este bem cultural tão precioso para o Maranhão. “A beleza do Bumba meu Boi está exatamente na diversidade de estilos e na riqueza de expressões que envolvem a dança, a forma de tocar, cantar. O Costa de Mão é uma dessas formas que integram não apenas o complexo cultural do Bumba meu Boi mas também a história, memória e identidade do povo maranhense”, ressaltou Galdino.

O presidente do Conselho Estadual de Cultura, Neto de Azile, afirmou que a campanha pela valorização dos bois de Costa de Mão é fundamental por se tratar de um bem cultural em risco. “A ideia é dar visibilidade e assegurar o reconhecimento da expressão como parte do conjunto de sotaques do Bumba meu Boi. A extinção de um sotaque pode inclusive comprometer a revalidação do título de patrimônio cultural brasileiro atribuído ao Bumba meu Boi”, alertou.

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Bumba meu boi de Cururupu (Foto: Reprodução / Internet)

Para Eliezer Gomes Martins, do grupo Boi Brilho da Sociedade, de Cururupu, a campanha precisa ir além dos festejos juninos. “É necessário que a história do sotaque Costa de mão chegue de forma pedagógica nas escolas, que se desperte a curiosidade dos mais jovens, seja pelo diferencial do ritmo e instrumental, seja pela necessidade de renovação sem perder a essência”, comentou.

Que ações concretas possam acontecer o mais breve possível no sentido de preservar esta cultura única, que é um dos patrimônios mais importante de Cururupu e do Litoral Ocidental do Maranhão, Não basta falar no Bumba meu boi apenas no período junino, se faz necessário uma intervenção continua que permita aos jovens não apenas conhecer, mais se envolver com esta cultura que teme em resistir ao tempo e ao abandono por parte do poder público, especialmente de Cururupu, que ao longo dos tempos fez quase nada, apenas em ações pontuais e de caráter temporário, sem de fato enfrentar o fenômeno do sumiço desta linda e rica tradição.  

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