MANDIOCA – o caminho para a sustentabilidade econômica de pequenos produtores de Cururupu

DA REDAÇÃO

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Cururupu tem uma vocação agrícola que já decorre de alguns séculos, ao lado da pesca e da prestação de serviço a agricultura durante muitos anos foi forte no município e fundamental para o desenvolvimento da cidade, infelizmente ao longo dos anos nada foi feito para motivar e manter os pequenos agricultores no campo, surgindo a figura do êxodo rual [fenômeno social que resulta na migração da população rural para os centros urbanos].

As pequenas agroindústrias que beneficiam mandioca desempenham um papel fundamental para o desenvolvimento do país. O beneficiamento da mandioca é uma atividade que começou a ser praticada no Brasil pelos seus primeiros habitantes, os índios. Esses desenvolveram técnicas para transformar certa espécie de mandioca imprópria para o consumo humano em alimentos que hoje são consumidos em vários países, em forma de farinha e derivados.

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Pão feito de mandioca (Créditos: Casa da Mandioca)

As dificuldades com o clima e a região semiárida de Cururupu, assim como todo o nordeste sempre foi considerado um problema para a produção e beneficiamento de mandioca, ocorre que os tempos se passaram e muitas tecnologia hoje permitem que isso fique no passado, mais em linhas gerais isso passa por uma política de valorização do agricultor, especialmente da agricultura familiar, que em Cururupu representa certamente a única forma de abastecimento dos produtos oriundos da agricultura, todavia, infelizmente o município ainda não tem como política de governo municipal sua importância na prática, aliás, isso não é de hoje, decorre de muitos anos, infelizmente os agricultores nunca contaram com uma política permanente de valorização e de beneficiamento da produção agrícola, restando em sua maioria produção ainda baseada em conhecimento empírico e com baixa produtividade por hectare, sem o emprego de tecnologia que lhe permitam produzirem mais com menos investimentos.

A mandioca se beneficiada, se transforma em diversos produtos, agregando valor e elevando a renda do agricultor, mais para isso é necessário assessoria técnica capaz de transformar a matéria prima em produto de consumo. 

Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – Pronaf 

O governo Federal, dispõe linhas de créditos e programas voltados para a agricultura familiar, financiamento à implantação, ampliação ou modernização da estrutura de produção, beneficiamento, industrialização e de serviços no estabelecimento rural ou em áreas comunitárias rurais próximas, visando à geração de renda e à melhora do uso da mão de obra familiar.

Subprogramas

Conheça os subprogramas do Pronaf e entenda a quem se destinam, o que pode ser financiado e como solicitar o apoio.

Pronaf Agroindústria: financiamento a agricultores e produtores rurais familiares, pessoas físicas e jurídicas, e a cooperativas para investimento em beneficiamento, armazenagem, processamento e comercialização agrícola, extrativista, artesanal e de produtos florestais; e para apoio à exploração de turismo rural.

Pronaf Mulher: financiamento à mulher agricultora integrante de unidade familiar de produção enquadrada no Pronaf, independentemente do estado civil.

Pronaf Agroecologia: financiamento a agricultores e produtores rurais familiares, pessoas físicas, para investimento em sistemas de produção agroecológicos ou orgânicos, incluindo-se os custos relativos à implantação e manutenção do empreendimento.

Pronaf ECO: financiamento a agricultores e produtores rurais familiares, pessoas físicas, para investimento na utilização de tecnologias de energia renovável, tecnologias ambientais, armazenamento hídrico, pequenos aproveitamentos hidroenergéticos, silvicultura e adoção de práticas conservacionistas e de correção da acidez e fertilidade do solo, visando sua recuperação e melhoramento da capacidade produtiva.

Pronaf Mais Alimentos: financiamento a agricultores e produtores rurais familiares, pessoas físicas, para investimento em sua estrutura de produção e serviços, visando ao aumento de produtividade e à elevação da renda da família.

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Mandioca empanada (Crédito: Gshow)

Pronaf Jovem: financiamento a agricultores e produtores rurais familiares, pessoas físicas, para investimento nas atividades de produção, desde que beneficiários sejam maiores de 16 anos e menores de 29 anos entre outros requisitos.  

Pronaf Microcrédito (Grupo “B”): financiamento a agricultores e produtores rurais familiares, pessoas físicas, que tenham obtido renda bruta familiar de até R$ 20 mil, nos 12 meses de produção normal que antecederam a solicitação da Declaração de Aptidão ao PRONAF (DAP).

Pronaf Cotas-Partes: financiamento para integralização de cotas-partes por beneficiários do Pronaf associados a cooperativas de produção rural; e aplicação pela cooperativa em capital de giro, custeio, investimento ou saneamento financeiro.

É importante destacar que a agroindústria da mandioca é um dos sistemas produtivos mais importantes para pequenas comunidades brasileiras. Essa modalidade de produção influencia diretamente no crescimento econômico do país. Quando o Estado e município falha em cumprir seu papel de prover o desenvolvimento conjunto e integrado para todos, tanto no âmbito econômico quanto social, alguns cidadãos se obrigam a buscar alternativas que lhes garanta o sustento.

É justamente nesse contexto que deveria surgir uma política forte para a agroindústria da mandioca, não apenas como uma alternativa de garantia da subsistência, mais como política pública de desenvolvimento econômico e social. As dificuldades para os agricultores familiares são diversas, entre as quais podemos destacar – descapitalização, falta de conhecimentos gerenciais, falta de incentivos, infraestrutura inadequada, inviabilização econômica da atividade, decréscimo dos ganhos a cada ano.

 Lançamento da 14° edição da Feira de Agricultura Familiar em Cururupu. (Foto: Divulgação)
Lançamento da 14° edição da Feira de Agricultura Familiar em Cururupu. (Foto: Divulgação)

AGRITEC 

O Governo do Estado, por meio do Sistema da Agricultura Familiar, realizou a 14° edição da Feira de Agricultura Familiar e Agrotecnologia do Maranhão (Agritec), no município de Cururupu em 2017. O objetivo da feira, que é territorial,foi levar conhecimentos por meio de programação com oficinas, minicursos, palestras, seminários, com apresentação de diversas tecnologias para incrementar a produção da agricultura familiar. O governo do Estado reconheceu que a região tem uma forte vocação para agricultura, bem como a presença marcante de povos e comunidades quilombolas e pela prática produção extrativista, pesca e agricultura e esses aspectos foram enfatizados na feira.

Na época o secretário explicou que o agricultor, por meio das feiras, tem a oportunidade de conhecer novas experiências e tem acesso ao crédito. “Enfim, com todos esses benefícios, os agricultores da Baixada Maranhense não poderia ficar de fora. Tenho certeza que será uma oportunidade ímpar para os agricultores familiares da região”, afirmou.

O presidente do Quilombo Ceará, de Cururupu, Nelson Pires, enfatizou que a Agritec contribui com o desenvolvimento da Baixada e, principalmente, fomenta o conhecimento ao produtor rural. “A gente ganha conhecimento que é, justamente, o que as comunidades estão precisando, principalmente, na área da produção de alimentos na agricultura, que é a atividade que mais trabalhamos”, afirmou. Ele disse que é preciso usar a tecnologia para ampliar a produção e evitar desperdícios.

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