Cururupu clama Pelo fim dos políticos profissionais; mais isso depende de nós

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Cururupu clama Pelo fim dos políticos profissionais; mais isso depende de nós

Raimundo N Pereira / Arquivo pessoal

Há no Brasil “donos” de Estados, coronéis de regiões e de cidades. Os ciclos eleitorais perpetuam práticas, famílias e conveniências, tornando privado aquilo que deveria ser público. As mesmas elites e os mesmos sobrenomes se multiplicam e se perpetuam no poder, variando apenas os cargos, profissionalizando a política. Em Cururupu isso não é diferente, a ideia de grupo politico é latente na cidade, organizados são sempre os vencedores na disputa pelo poder, já a população e as políticas sociais e de inserção de melhorias ficam sempre em terceiro plano, isto é, quanto existe um plano, pois ultimamente nem isso é possível vislumbrar.

Cururupu possuem uma população que de longe supera os 30 mil habitantes, são mais de 20 mil eleitores, segundo dados do TRE-MA, esses ingredientes fazem de Cururupu uma cidade cobiçada a cada eleição, o grande problema se percebe após as eleições, pois os eleitos com apoio dos votos dos cururupuenses em sua maioria nada fazem por aquela população, parece que os acordos políticos traçados com as lideranças locais não envolvem trabalhar pela cidade, ao contrário, parece que tudo que importa é a própria ascensão dos correligionários. 

Mais afinal, qual o interesse de um ‘político profissional’ se candidatar eleição após eleição, estendendo isso a seus familiares e amigos, como que criando feudos, cargos vitalícios? A exposição das entranhas da República, como temos visto, mostra definitivamente que não é o espírito público.

Toda média e generalização é injusta, então faço ressalva de que há (embora poucos) políticos com espírito público, políticos que conseguiram romper o sistema criado para perpetuar os mesmos grupos. Todavia, são engolidos pela máquina, pelos esquemas, pelas manobras e pelas leis e regimentos feitos para manutenção das oligarquias que dominam o Brasil desde sempre. Nos municípios isso não é diferente, apenas a proporção se difere, pois a prática é exatamente a mesma do senário nacional, e claro, Cururupu não é uma exceção, pois comunga das mesma práticas do profissionalismo da política nacional e estadual. 

O sistema eleitoral (e político) do pais é insustentável. As eleições se tornaram muito caras e complexas. Vence quem tem mais dinheiro e/ ou quem tem mais visibilidade na mídia e apoio política. Precisamos acabar com esse ciclo. É necessário inserir Cururupu definitivamente no século XXI, reorganizando prioridades, desburocratizando os processos e modernizando as instituições para que atenda de fato as necessidades das pessoas.

Precisamos de eficiência, responsabilidade e temporalidade. É necessário resgatar o princípio de que cargos públicos (e políticos) são públicos; e o público pode e deve participar. A sociedade tem que participar mais da gestão pública, seja se elegendo, seja participando dos governos. Cada cidadão deveria oferecer o que tem de melhor em termos de conhecimento técnico, quem sabe doando um tempo de sua vida para a gestão pública, e se sentindo parte do processo, e não um mero eleitor de pseudos políticos, que nada fazem para a população em sua maioria. 

Uma das sugestões para por fim aos discretos na política certamente é a oxigenação do sistema atual. Vereadores, deputados e senadores deveriam ter limite máximo de mandatos; prefeitos, governadores e presidente não deveriam se reeleger.

Mais uma eleição se aproxima, e não se percebe nenhum dos postulantes aos cargos na política defenderem tais medidas, ao contrário, o que se percebe são as retóricas de sempre: promessas milagrosas de solução dos problemas, outras menos ortodoxias, mais que encontra simpatizantes, até mesmo pela realidade que os políticos levaram a população ao nível máximo do descredito e da moralidade.

Nos últimos dias Cururupu tem sido pouco para a disputa de votos por todas as correntes ideológicas, algumas novas, é verdade, mais o que impera mesmo são os velhos conhecidos em tempo de eleição e que nada fazem em prol da população de Cururupu. As justificativas são as mais esfarrapadas possíveis, o executivo municipal ao defender seus prediletos afirma que isso será importante para a governabilidade e para garantia de recurso para o município (emendas), ocorre que isso não vem acontecendo, ao contrário, não se tem conhecimento da chegada de tais recursos desta natureza ao município e que possa de fato melhorar a vida das pessoas.

Estamos diante de uma crise de moralidade na política que parece não ter fim. A corrupção impera, que as denuncia sejam devidamente apuradas, e as comprovando, que siga o processo legal. Não podemos dar brechas para voluntarismos e oportunismos. É necessário preservar as instituições e cumprir a Constituição. Nós, enquanto cidadão e eleitores temos um papel importante de dialogar e pressionar os políticos, pois os interesses coletivos são maiores do que os particulares, todavia, pra isso acontecer precisamos ter consciência política, temos que defender melhorias para a cidade e não para os grupos como acontece na atualidade.

Raimundo Nonato Pereira é Diretor Geral do portal ICURURUPU, Graduado em Direito, Pós-graduado em Ciências Criminais, Docência do Ensino Superior; Sistema Prisional e Medidas Socioeducativa e Graduando em Gestão Pública. 

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