Encanto Paradisíaco da Ilha Dos Lençóis e da Lenda do Rei São Sebastião

EDIÇÃO ICURURUPU, COM INFORMAÇÕES DE JORNAL CAZUMBÁ

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Na ilha dos lençóis localizadas no arquipélago de Maiaú, no município de Cururupu, no litoral norte do Estado, a 160 km de São Luís, sua gente é muito boa. Povo simples, vive basicamente da pesca, mas conhecem a fundo o que é viver em harmonia com a natureza. Amantes do um dedinho de prosa, basta sentar um pouquinho em qualquer lugar, para juntar um grupo. Prepare-se para sair de lá muito mais ricos, humano e renovado. Você irá ao longo de sua estadia perceber alguns nativos bem mais clarinhos, quase cor de rosa, são os albinos, indivíduos que desde a década de 70, promovem a ilha como a mais enigmática e misteriosa do Maranhão.

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Bela imagem de Ilha dos Lençóis em Cururupu (Foto: Gabriel Castaldini)

Conhecidos também como “filhos da lua”, não se sabe ao certo como apareceram por lá, mas reza a lenda que, são filhos do rei Sebastião, misterioso habitante daquelas bandas. Em se tratando de um lugar tão fantástico, você vai se perguntar a todo o momento: como essas pessoas tão brancas foram nascer ali? Logo ali, onde o sol e o calor fazem moradia! Pois é. Hoje existem poucos remanescentes, pois a maioria foi desaparecendo gradualmente e outras se mudaram na esperança de uma vida melhor e menos insalubre.
 
Para chegar

A viagem começa em São Luís. A opção mais barata é de ônibus de linha, mas atualmente pode-se chegar de avião, há pista autorizada na ilha de Bate Vento (em frente à ilha dos lençóis). A saída é do Anel Viário em São Luís com direito a transferir até a Ponta da Espera – local de saída do ferry poat que tem saídas diárias e que transporta passageiros do continente para a capital e vice e versa, se o percurso fosse feito todo por terra o tempo de viagem aumenta em media 5 horas e as estradas nesse trecho não se apresentam em boas condições para carros pequenos.

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Bela imagem da Ilha de Lençóis em Cururupu (Foto: Reprodução/Internet)

Ao aportar no Porto de Cujupem o ônibus continua viagem rumo a Cururupu – mais 4 horas de viagem rumo Cururupu – mais 4 horas de viagem ao longo ao belo cenário da região alagada da baixada Maranhense. Chegando em Cururupu faz-se necessário pernoitar, caso chegue à noite. As opções de hospedagem são diversas e apresentam boas acomodações. Equipamentos e atendimento, bons. Ás 5 horas do dia seguinte é hora de tomar o ônibus ao porto de pindobal. O ônibus está longe de ser confortável, porem, muitas pessoas que moram em ilhas ao longo do litoral estarão fazendo essa viagem. Atualmente as estradas estão em péssimas qualidades, o que requer do viajando um pouco mais de emoção. As fortes chuvas que cai na região e a falta de conservação tem tornado a estrada um verdadeiro Rally, fora isso é tudo emoção. 

Chegando ao Porto de Pindobal é hora de esperar a maré cheia para os barcos – de pescadores – saírem para o mar. Enquanto espera, aproveite para conversar com a comunidade ribeirinha e tomar um café ou ainda comer um mingau de milho. Maré cheia, início da viagem. Pode confiar nos pescadores, eles conhecem muito bem as intempéries do mar. Os barcos a motor que fazem essa viagem por entre os furos [rios ao longo das reentrâncias] transportam uma diversidade de mantimentos que abastecem as comunidades distribuídas em diversas ilhas que ladeiam o litoral ocidental do maranhão, e as pessoas que vivem nessas ilhas. Durante o percurso terás oportunidade de conhecer a famosa Floresta dos Guarás, e os próprios Guarás. A paisagem pouco se altera: mangue, caranguejos , guarás, e maçaricos.

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Relva da Ilha dos Lençóis em Cururupu (Foto: Reprodução/Minube)

Dormida

No Ecological Lodge [filhos da lua], a única ilha, possui quartos com banheiro privativo, ou ainda, com banheiros coletivos. A mobília é simples e rústica feita com madeira da própria ilha. No hall de entrada, se assim podemos chamar a sala de jantar há disponível um pequeno “sonzinho”, um toca CDS que pode ser utilizado quando o gerador estiver ligado. A cozinha, muito bem conduzida por Miúda – com seu sorriso acolhedor, dedicação e cuidado com os hospedes, serve café da manhã, almoço e jantar. Para os que estão de barco, podem dormir nele mesmo ou ainda acampar – lugar é que não falta!!!

Beberança – “onde tomar umas?”

Qualquer lugar da ilha te inspira para uma boa cervejinha. No bar do turista, você pode escutar uma musica, sentar em uma mesinha e ver o dia passar, na venda do Mário, você fica ao ar livre e escuta os papos da comunidade, mas há ainda a opção de comprar e tomá-la debaixo do redário, deitado, olhando a paisagem e pensando: “Eh. Vida mais ou menos!”. Para aqueles que não curtem uma cervejinha, sucos, refrigerantes e água também são vendidos. 
 
Melhor período para visitação

O clima no Maranhão é influenciado, devido sua posição geográfica, categorizando o clima como quente e chuvoso de precipitações médias que variam de 1500 a 2000 mm no ano. Com isso, a melhor época para visitar a ilha dos lençóis é – se depender do sol – o ano todo! Porem, precisa-se considerar o período de chuvas e vento. Os meses de agosto ate novembro são meses de muito vento, dificulta a travessia do barco. Para os aventureiros apreensivos que respeitam o mar, este período não é adequado. Meses “tudo de bom”: julho e junho – as lagoas estão cheias, nesse período finalizam-se as chuvas.

Encantados 

Reza a lenda que a ilha dos lençóis é a morada do rei Sebastião. Seu reino está oculto no fundo do mar, próximo a ilha. O rei vive em seu palácio submerso e seu navio nunca encontra a rota de volta pra Portugal. Nas noites de sexta-feira Dom Sebastião aparece na ilha na forma de um touro negro com uma estrela dourada na testa. Se alguém conseguir ferir o touro na estrela que carrega na testa, o reino de Dom Sebastião se desencantará, emergirá revelando seu tesouro e a ilha do Maranhão, onde fica a cidade de São Luis, irá submergir. Os que já viram o rei em forma de touro contam que o encantado aparece em julho durante as festas do Bumba-meu-boi e advertem: é possível encontrar jóias na praia – parte do tesouro de Dom Sebastião – porem,  nenhum pertence do rei pode ser levado!, pescadores contam diversas historias de pessoas que tentam se apoderar de peças do tesouro do rei mas nunca conseguiram sair da ilha ate devolverem, por isso acreditam que se alguém tentar sair da ilha levando conchas e lembranças a embarcação não pode seguir viagem, pois tudo lá pertence a Dom Sebastião. Se insistirem, a embarcação pode afundar.

As expedicionárias e o turismo responsável

Lugares paradisíacos, famosos, na moda, conforto, consumo, passeios, compras nenhum olhar ao redor! Quais as condições de vida da população visitada? Quais as mudanças que causamos quando passamos [e somente passamos]? em geral, assim são as férias, mas quem são os verdadeiros beneficiários desses momentos de lazer e entretenimento? A questão é: o que realmente agregamos de valor quando viajamos? 

O turismo não é o fenômeno promovedor da paz entre os povos porque inter-relaciona pessoas de diferentes culturas? Então porque apenas um determinado perfil de visitantes volta de seu destino muito diferente de quando chegou? Por acreditar que é possível viajar com base de princípios de justiça e sustentabilidade, reduzindo o impacto ambiental e cultural, estabelecendo relações sinceras entre visitantes e visitados é que surgiu a ideia da criação de “As expedicionárias”.

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Pôr do sol nos Lençóis de Cururupu (Foto: Julio e Hanna)

Acreditamos que o encontro com “o outro” é partilhar experiências de crescimento interior e de respeito, preocupando-se em não “usurpar” nem “invadir” as vidas das pessoas. É promover a aproximação entre culturas, por meio de viagens que respeitem as comunidades locais, que causem o menor impacto ambiental possível e que garantam uma justa distribuição de lucros. É valorizar a cultura da nossa gente, partilhar de seu cotidiano resgatando assim sua auto-estima.

Lançar um olhar para as pessoas que vivem nos locais mais inóspitos que se pode imaginar e que as vezes só tomam contato com o mundo lá fora por meio de depoimentos de visitante de passagem. Então, deixar e colher sorriso é o principio do trabalho de “As Expedicionárias”. Por isso resolvemos desenvolver novos roteiros turísticos reinventando o conceito de viagem a partir de nossos sonhos e crenças. Nossa filosofia é que os viajantes tenham a oportunidade de conhecer destinos turísticos convencionais ou não de uma forma diferente: envolvendo-se com as comunidades e percorrendo os atrativos de forma expedicionária, ou seja, aproveitando o que os locais têm de melhor: sua gente, seus hábitos e costumes, alem de primar por uma experiência única. É viajar de espírito aberto resgatando os valores da vida, respeitando a diversidade natural e cultural baseados na solidariedade, afetividade e cooperação. 

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